Quinta, 20 de Fevereiro de 2020

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Cresce financiamento coletivo de pequena e média empresa, sinaliza CVM

05/09/2019 - Economia

A procura de pequenas e médias empresas brasileiras pela captação de recursos por meio de financiamento coletivo, operação conhecida como “crowdfunding”, tem crescido em ritmo expressivo e, em 2019, os três primeiros meses superaram a captação de todo o ano de 2018.

Dados apresentados em abril deste ano pela CVM mostram que, em 2018, todas as ofertas por meio de plataformas de captação coletiva levantaram cerca de R$ 46 milhões. Os números de 2019 ainda não foram consolidados pelo regulador brasileiro, mas as informações cedidas pelas três maiores plataformas de crowdfunding já bateram esse montante, segundo o superintendente de desenvolvimento de mercado da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Antonio Berwanger. Ele falou sobre mercado de capitais para startups no 20º congresso do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC).

O crowdfunding é uma alternativa para empresas com receita anual de até R$ 10 milhões se financiarem por meio de operações na internet com dispensa automática de registro de oferta e de emissor. Cada empresa pode captar até R$ 5 milhões. Esse meio de captação foi regulamentado pela CVM em 2017, pela instrução 588.

De acordo com Berwanger, o valor médio das captações já chega a R$ 1 milhão. Neste ano, a cervejaria Leuven, de Piracicaba (SP), foi a primeira companhia a conseguir captar R$ 5 milhões em uma oferta.

“Esse tipo de captação foi uma lição para CVM, porque era preciso ter as plataformas para fazer o meio de campo entre essas empresas e os investidores”, diz Berwanger. Para ele, esse tipo de investimento deve ganhar cada vez mais popularidade uma vez que torna as empresas mais próximas de seus investidores, que são, muitas vezes, clientes da marca.

Outro avanço observado pelo regulador brasileiro desde o estabelecimento das regras foi a melhora no êxito das ofertas. Em 2016, antes da instrução, das 98 operações lançadas, apenas 24 tiveram sucesso. Dois anos depois, em 2018, 52 ofertas foram lançadas, mas o índice de sucesso foi de 82%, ou seja, 46 foram fechadas com sucesso.

Os próximos passos, segundo Berwanger, devem ser no sentido de ampliar a atuação das plataformas e mesmo aumentar o limite de captação de R$ 5 milhões por oferta de cada empresa. “Isso exigirá, claro, novas regulamentações, pois aumentará o risco para os investidores”, pondera.

Atualmente, 24 plataformas de investimento por crowdfunding estão registradas na CVM.

Sem cobertura

No mesmo painel, a diretora de regulação de emissores da B3, Flavia Mouta, destacou que, enquanto para empresas em fase inicial há boa cobertura, empresas num patamar intermediário enfrentam dificuldades. Há um desafio grande para ofertas de R$ 100 milhões a R$ 200 milhões, de acordo com Flavia.

“Hoje, a empresa se lista na B3 e aguarda fazer o IPO [oferta pública de ações] no Novo Mercado em uma oferta superior a R$ 400 milhões, quando, muitas vezes, a demanda inicial por financiamento era de R$ 100 milhões”, acrescenta ela.

https://www.sinfacsp.com.br/noticia/cresce-financiamento-coletivo-de-pequena-e-media-empresa-sinaliza-cvm-valor-economico

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