Segunda, 15 de Outubro de 2018

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Em 10 anos, o juro e o crédito livre cresceram

05/10/2018 - Economia

O aumento expressivo do crédito livre, em contraste com a evolução mais lenta do crédito direcionado, caracterizou os últimos dez anos, segundo pesquisa recente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). Entre junho de 2008 e junho de 2018, o volume total de crédito na economia aumentou 71%, de R$ 1,83 trilhão para R$ 3,13 trilhões. No mesmo período, as operações de crédito com recursos livres avançaram 174,4%, de R$ 598 bilhões para R$ 1,64 trilhão.

O crédito livre destinado às pessoas jurídicas aumentou 126,7%, de R$ 334 bilhões para R$ 758 bilhões, avanço muito inferior ao do crédito destinado às pessoas físicas, que cresceu 234,9%, de R$ 264 bilhões para R$ 883 bilhões. A tendência de elevação do crédito para as famílias estimulou o consumo e foi um bom sinal para a economia. Mas foi acompanhada de uma alta dos custos deste crédito, enquanto se reduziam os custos para as companhias.

A taxa média de juros subiu 0,5 ponto porcentual no período analisado, passando de 38% ao ano para 38,5% ao ano. As pessoas jurídicas pagavam em média 26,6% ao ano há dez anos e passaram a pagar 20,2%, com redução de 6,4 ponto porcentual. Já as pessoas físicas, nas mesmas datas, pagavam 49,1% ao ano e 53,2% ao ano, alta de 4,1 pontos porcentuais.

Tendência similar foi registrada nos spreads (diferença entre o custo de captação e o custo de aplicação dos bancos), que diminuíram 2,1 pontos porcentuais para pessoas jurídicas e subiram 8,8 pontos porcentuais para pessoas físicas. No período, a inadimplência cresceu levemente no crédito às famílias e mais intensamente no crédito às empresas.

Um dos fatores que acompanharam a evolução do crédito foi a dilatação dos prazos tanto para famílias quanto para empresas. O prazo médio do crédito às pessoas físicas foi de 15,4 meses para 54,6 meses, influenciado por operações de financiamento à moradia.

Como proporção do Produto Interno Bruto (PIB), o crédito perdeu força nos últimos anos, em parte por causa da diminuição da oferta de crédito subsidiado do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Mas o crédito poderá ressurgir com vigor no próximo governo, com a ajuda de juros menores e de uma política econômica confiável para bancos e para tomadores.

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