Segunda, 23 de Julho de 2018

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A hora ‘H’ das empresas

14/05/2018 - Economia

Depois de um longo período de retração, o Brasil finalmente recebeu a boa notícia de que a recessão acabou. Mais importante do que o modesto índice de 1% de elevação do PIB no ano passado, é a trajetória de aceleração para 2018.

Diferentemente de retomadas anteriores, em que se falava em investidores estrangeiros, o protagonista da vez será o próprio empresário nacional. Ele terá que girar a roda da economia e para isso acontecer, ele deverá seguir à risca uma cartilha que prega cinco passos e dois desafios.

O primeiro passo é avaliar o tamanho da carteira de pedidos. Depois disso, avaliar a ociosidade do parque industrial da empresa para em seguida fazer uma análise da necessidade de gastos com mão de obra, matéria-prima e demais custos que ele terá para atender a carteira de pedidos. O quarto passo é pesquisar o custo para a captação dos recursos financeiros para atender o capital de giro e, por fim, o empresário deve focar na qualidade da gestão, que precisa estar alinhada com os critérios de responsabilidade de pagamentos e recebimentos.

O Brasil possui muitas empresas com capacidade ociosa e, para reverter este cenário, o empresário deverá “encher a fábrica”. E daí ocorre o primeiro desafio: Os investimentos devem ser em curto prazo, com foco em matéria-prima de giro rápido, além de estoque repleto para atender a carteira de pedidos.

O empresário precisa estar atento também, pois embora exista uma estimativa que a economia do País cresça 3% em 2018, esse cenário não será homogêneo, ou seja, muitas despontarão enquanto outras continuarão estagnadas ou regredirão. A diferença entre as empresas que irão crescer para as que irão encolher ou manter-se estagnadas está na capacidade de obter capital de giro e gerenciar matéria-prima e mão de obra.

Possivelmente, muitos empresários acham que agora é o momento de investir, ampliar a estrutura, trocar o maquinário, mas a verdade é que esse momento não pede investimento, mas sim produtividade fabril.

O segundo desafio para as empresas é como conseguir capital de giro. Existem três caminhos para se conseguir crédito. O primeiro são os grandes bancos que dominam mais de 70% do mercado e são conservadores na concessão de crédito. O segundo caminho são os bancos menores e os FIDC`s (Fundos de Direito Creditório), que possuem mais facilidades na liberação de crédito. O terceiro caminho, em evolução, são as Fintechs, mas que ainda estão longe de atender empresas fora da categoria ME/EPP.

Para as empresas, obter financiamento do capital de giro, parece ser o maior desafio do momento. As que desejam conquistar a confiança de financiadores devem apresentar um projeto simples, focado na retomada das vendas, com indicadores de capacidade de absorção de crescimento da economia e boa carteira de pedidos. Boas práticas de gestão podem render mudanças em um curto prazo de 90 dias. O mercado chama essa operação de “Choque de Gestão” e isso atrai a atenção dos financiadores de crédito.

Como se vê, é uma tarefa e tanto. Mas, não há como fugir dela. A volta do crescimento econômico, sem dúvida, é muito positiva para as empresas, mas só terá impacto nos negócios da companhia que fizer sua lição de casa. Dessa forma, sim, será possível aproveitar um período de prosperidade.

Fábio Astrauskas é CEO da consultoria Siegen

https://www.dci.com.br/colunistas/artigo/a-hora-h-das-empresas-1.706255

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