Fomento

CDB domina e FIDC dispara 122%: o raio-x de onde o brasileiro investiu em 2025

O Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) foi o campeão de crescimento no ano de 2025 entre os investimentos dos brasileiros no país, com alta de 122,8%. Em volume financeiro (dinheiro novo entrando), porém, os CDBs (Certificado de Depósito Bancário) continuam no pódio como o principal destino do investidor brasileiro em 2025, com alta de R$ 288,7 bilhões na variação em reais.

Os dados são do balanço dos investimentos das pessoas físicas em 2025 da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), divulgado nesta terça-feira (24). O levantamento mostra que, no quesito crescimento, além dos FIDCs, outros destaques foram os ETFs (fundo de índice), que avançaram 47,8% e os títulos públicos, que saltaram 43,4%.

Já os produtos isentos (como CRA, CRI, LCA, LCI, LIG e debêntures incentivadas) cresceram R$ 191 bilhões (15,5%), ocupando o 3º lugar em evolução de volume, em um ano marcado pelas discussões em torno da MP 1303 — proposta como alternativa ao aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) — que previa a unificação da tributação de todas as aplicações financeiras em 18% a partir de 1º de janeiro de 2026. A medida, no entanto, foi retirada de pauta e perdeu a validade.
 

Produtos com maior crescimento e volume

Produto Volume (R$ bi) Diferença (R$ bi) Var.%
FIDC 51,9 28,6 122,80%
ETF 18,3 5,9 47,80%
Títulos públicos 263,6 79,7 43,40%
FIP 45,5 11 31,70%
Outros² 48 10,6 28,30%
Fundo de renda fixa 1014 223,3 28,20%
CDB 1331,1 288,7 27,70%
FII 128,5 26,2 25,70%
COE 103,3 19,6 23,50%
Isentos³ 1428 191,1 15,50%
Previdência 1545,8 186,7 13,70%
Fundos de ações¹ 252,9 26,9 11,90%
Ações 807,3 71,1 9,70%
Debêntures tradicionais 51,4 3,7 7,70%

Fonte: Anbima

O CDB liderou o crescimento em todas as regiões do Brasil, enquanto o Sudeste foi a única região onde o investimento em ações registrou crescimento em 2025.

Luciane Effting, presidente do Fórum de Distribuição da Anbima, destaca que o FIDC foi distribuído para o segmento do varejo tradicional apenas recentemente, o que justifica a alta em um cenário em que investidores também estão diversificando o portfólio. Já o CDB se destaca pelo fácil acesso, no atual patamar de juros.

Segundo o levantamento, o volume financeiro de investimentos dos brasileiros subiu 15,5%, ante a alta de 13% no ano anterior, e alcançou R$ 8,6 trilhões em 2025. O destaque ficou com o varejo alta renda, segmento que liderou o crescimento em volume financeiro, atingindo R$ 548 bilhões, uma alta de 21,2%.

Porém, o ticket médio desse público caiu: apesar do aumento no número de contas no varejo alta renda, o ticket médio desse investidor retraiu 19,8%, passando para R$ 137,3 mil em dezembro de 2025. Enquanto isso, o valor médio do varejo tradicional ficou estável em R$ 14,9 mil e dos ricaços, o Private, subiu para R$ 15,8 milhões.

Onde os ricaços investem?

O balanço mostra um contraste entre onde os "ricaços" (segmento Private) e os investidores tradicionais colocam seu dinheiro.

O público Private teve o menor espaço na distribuição da poupança (0,5%), que segue dominado pelo varejo tradicional (84,7%). Por outro lado, representa quase metade (45,5%) da distribuição dos fundos de investimentos, número que envolve classes multimercados, classes de renda fixa, cambial, classes de ações, FIDC, FII, ETFs, FIP e FMP.

Esse público também representa 35,2% da distribuição de títulos e valores mobiliários, que abarca ativos como ações, títulos públicos, letras financeiras, debêntures (tradicionais e incentivadas), entre outros.

No volume financeiro, o varejo tradicional foca principalmente no CDB, representando 47,6% da carteira desse tipo de investimento. Já a preferência do private recai sobre ações: esse segmento representa 68,6% do volume total financeiro de ações e produtos isentos (43% do volume total).

Evolução de instrumentos por segmento — Foto: Anbima

Volume financeiro e distribuição — Foto: Anbima

https://valorinveste.globo.com/objetivo/hora-de-investir/noticia/2026/02/24/cdb-domina-e-fidc-dispara-122percent-o-raio-x-de-onde-o-brasileiro-colocou-dinheiro-em-2025.ghtml