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FIDCs encerram 2025 em patamar histórico; veja como investir nestes fundos

Os FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) bateram recorde em 2025. Dados da Ouro Preto Investimentos apontam que o patrimônio total desta indústria atingiu R$ 814 bilhões no ano.

Analistas do mercado financeiro acreditam que esta indústria pode crescer ainda mais. “Os FIDCs representam uma mudança na forma como o investidor brasileiro enxerga o crédito privado. A combinação entre retorno e segurança tem sido decisiva para essa mudança de paradigma”, afirma o CEO da Hike Capital, Jonas Carvalho.

Os FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) são uma modalidade de investimento em renda fixa voltada para os chamados “títulos de dívida”. Em termos simples, quando você investe em um FIDC, você está “comprando” as dívidas que outras pessoas ou empresas têm com uma determinada companhia.

O avanço deste segmento está relacionado também a questões regulatórias. Até há pouco tempo, os FIDCs eram exclusivos para investidores qualificados (com mais de R$ 1 milhão investidos). No entanto, regras implementadas pela CVM no final de 2022 ampliaram o acesso.

Seu sucesso é reforçado ainda pela presença massiva de investidores institucionais como fundos de pensão, seguradoras, gestoras e bancos. Eles deixaram assim de ser uma opção restrita a grandes investidores e passaram a integrar o portfólio de empresas e pessoas físicas.

Como investir em FIDCs

Os FIDCs não são encontrados em bancos de varejo comuns. É necessário buscar uma plataforma corretora de investimentos para adquirir cotas. Já existem opções no mercado com aportes a partir de R$ 1 mil.

Quem deseja investir em um destes ativos deve se atentar a quem é o cedente (quem gerou a dívida) e o Gestor (quem cuida do fundo). Uma forma de se assegurar sobre o ativo é buscar sua avaliação por agências de risco como S&P, Moody’s ou Fitch, buscando aqueles com notas “AAA” ou “AA”, ou seja, baixo risco de inadimplência.

“É importante conhecer o gestor, avaliar a estrutura do fundo e a qualidade dos ativos. A classificação de risco, a política de garantias e o prazo de resgate também devem ser considerados”, recomenda Carvalho.

Vantagens e riscos

Segundo a Hike Capital, o retorno dos FIDCs supera, em diversas janelas históricas, outros indicadores como o IMAB (títulos públicos) e o IDA (debêntures), com uma menor oscilação e maior liquidez. Estão ainda isentos de come-cotas e abrem as portas para acessar setores específicos, como o agronegócio, o setor elétrico, o varejo ou até o setor imobiliário, sem precisar comprar ações dessas empresas.

Ao mesmo tempo, o risco de inadimplência nunca é zero. Os FIDCs não estão protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Logo, se o fundo quebrar, não há garantia de ressarcimento.

Entender a qualidade dos direitos creditórios exige uma análise mais profunda do que simplesmente olhar a taxa do título, o que pode ser difícil para o investidor iniciante. Na dúvida, é recomendável busca um especialista.

https://istoedinheiro.com.br/fidcs-recorde-2025-como-investir-nestes-fundos