Economia

Tarifaço: governo incluirá pequeno fornecedor em crédito do Brasil Soberano

Pequenos fornecedores de produtos a empresas que exportam para os EUA deverão ser incluídos no Plano Brasil Soberano, que destinará até R$ 40 bilhões em financiamentos com juros menores que a Selic para ajudar empresas afetadas pelas tarifas de 50% impostas ao Brasil. A informação foi dada hoje por Nelson Barbosa, diretor no BNDES, durante uma sessão no Senado. Até o momento, a Medida Provisória só atende a quem exporta diretamente aos Estados Unidos. A data para inclusão das empresas e regras específicas não foram detalhados.

O que aconteceu

Produtores indiretos também devem entrar em pacote do governo. A ideia do governo é incluir também os produtores que foram impactados e que não vendem direto aos EUA, mas que fornecem produtos para quem exporta ao país. Os critérios específicos dessa categoria ainda estão sendo definidos. A inclusão deve ser divulgada nas próximas semanas.

Plano Brasil Soberano usa 7% do crédito em 13 dias. Ao todo, o Plano Brasil Soberano já aprovou R$ 2,1 bilhões em financiamentos até ontem. Esse valor pertence a um total de R$ 30 bilhões separados do FGE (Fundo de Garantia à Exportação) do BNDES para as empresas mais afetadas. Se for mantido o mesmo ritmo, a verba deve se esgotar em até seis meses. Além desse valor, outros R$ 10 bilhões extras foram reservados do orçamento geral do BNDES para atender a empresas menos afetadas pela taxação.

Setor de alimentos foi o mais beneficiado até agora com 30% dos valores. Em seguida, exportadores de madeira têm 20% e minerais não metálicos levam 8,4%.

Estado de São Paulo tem mais de um quarto das aprovações de crédito. Em seguida, vêm Rio Grande do Sul (18,3%) e Paraná (15%).

Mais 3.700 empresas consultaram a elegibilidade ao financiamento; 1.444 foram identificadas como elegíveis. O BNDES não divulgou o número total de empresas que começaram a receber o dinheiro de fato. 

Medida provisória ainda precisa ser votada no Congresso para continuar valendo para o ano que vem. O texto foi publicado em agosto deste ano, com validade inicial de 120 dias. Se não for analisado e aprovado pelo Legislativo dentro desse prazo, perderá validade.

Como funciona o financiamento

O dinheiro não sai diretamente das contas do governo, mas a verba federal é usada como garantia de pagamento aos bancos, o que permite juros menores às empresas afetadas pelas tarifas. Quando o crédito é aprovado, o banco procurado pela empresa é que dá o dinheiro. Se a empresa não pagar o empréstimo, o fundo do governo é usado para pagar até 80% da dívida ao banco. Essa garantia permite que os juros sejam menores que a taxa Selic, porque os bancos têm maior segurança ao emprestar.

São elegíveis as empresas cujas exportações representem ao menos 5% do faturamento bruto total. Empresas cujas exportações tarifadas representem mais de 20% do faturamento bruto total têm direito a todas as linhas de crédito. Quem deseja acessar o crédito precisa verificar se é elegível no site do BNDES. Se a resposta for positiva, é só procurar um banco credenciado ou ou o próprio BNDES, se a empresa for de grande porte.

Há duas principais linhas de crédito que destinam um total de R$ 30 bilhões às empresas afetadas, chamadas Giro Emergencial (para cobrir despesas do dia a dia) e Giro Diversificação (para buscar novos mercados e clientes). A primeira e mais acessada tem juros de 8,19% ao ano para microempreendedores, pequenas e médias empresas, e juros de 10,31% ao ano para as grandes. O prazo de pagamento é em até cinco anos. O limite de crédito para empresas grandes é de R$ 200 milhões. Para demais exportadores, é de R$ 35 milhões. A segunda linha de crédito tem juros de 8,19% ao ano para empresas de todos os portes e as mesmas condições da linha Giro Emergencial. A taxa Selic alcança 15% ao ano.

Qualquer um que exporte aos EUA, mesmo que não tenha sido tão impactado com o tarifaço, pode acessar uma outra linha de crédito para. Essa categoria tem um total de R$ 10 bilhões de crédito garantido pelo BNDES. Os juros são de 1,15% ao mês para quem quer o dinheiro para cobrir gastos operacionais gerais. Para quem quer buscar novos mercados, a taxa atual é de 0,29% ao mês e a dívida varia conforme a cotação do dólar. Também é cobrado o spread bancário (uma taxa que cada banco define para cobrir o risco da operação). O pagamento precisa ser feito em até cinco anos. O limite de crédito é de até 5% da receita operacional bruta da empresa, limitado a R$ 500 milhões.

Beneficiários precisarão comprovar que mantiveram empregos de funcionários. A média de empregos entre julho de 2024 e junho de 2025 deverá ser a mesma do período entre o 5º e 16° mês após a contratação do financiamento. O governo fará monitoramento nacional e regional.

https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2025/09/30/governo-incluira-pequenos-fornecedores-em-credito-contra-tarifaco-dos-eua.htm