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Expansão e riscos no mercado de recebíveis impulsionam criação de novas ferramentas de controle para FIDCs

O forte crescimento do mercado de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), cujo patrimônio líquido ultrapassou a marca de R$ 720 bilhões, é acompanhado por desafios estruturais que acendem alertas em gestores e órgãos reguladores. Dados da plataforma Uqbar apontam uma alta de 19% na inadimplência geral dos FIDCs, somando R$ 28,6 bilhões de crédito em atraso. Paralelamente à deterioração do crédito, o setor enfrenta o risco de um “apagão” de informações fiscais e operacionais, que já causou a interrupção de resgates em fundos devido a problemas severos de liquidez e falta de atualização cadastral.

A gravidade do cenário é evidenciada por investigações de segurança pública, como a Operação “Falso FIDC”. Deflagrada de forma conjunta por forças policiais e pelo Ministério Público do Distrito Federal no ano passado, a ação desarticulou um esquema criminoso que utilizava uma rede de 31 empresas fictícias (conhecidas como noteiras) para emitir R$ 1,22 bilhão em notas fiscais frias. O grupo utilizava a estrutura de um fundo regulamentado para antecipar recebíveis sem lastro real, simulando operações comerciais legítimas para movimentar recursos ilícitos e gerar prejuízos fiscais estimados em R$ 288 milhões.

Diante do avanço de fraudes complexas e do crescimento dos atrasos nas carteiras, as empresas de tecnologia Assertiva e QuickSoft desenvolveram a Análise Inteligente. A solução opera de maneira nativa dentro do Qprof — sistema de gestão que atende a cerca de 25% da base de FIDCs em atividade no país — para permitir o cruzamento de indicadores e a identificação de divergências antes que as mesas de crédito aprovem as transações.

A ferramenta unifica três ecossistemas distintos de informações: a inteligência de mercado da Assertiva, o histórico operacional interno da Quick Soft e os dados de comportamento financeiro transacional fornecidos pela Núclea. Esse processamento analisa o CNPJ do tomador por meio de cinco dimensões analíticas: consistência cadastral, qualidade da estrutura societária, posição reputacional, exposição ao endividamento e veracidade do lastro transacional. O objetivo é rastrear inconsistências que as consultas tradicionais de birôs — voltadas apenas para restrições geradas no passado — não conseguem capturar em tempo real.

O diretor executivo da Assertiva, Hederson Albertini, detalha que a proposta de controle preventivo é de extrema importância porque os birôs tradicionais mostram uma foto excelente do passado das empresas, mas o risco de fraude habita no presente. “Na antecipação de recebíveis, entender a consistência e a saúde operacional por trás de um CNPJ em tempo real é o que separa uma operação rentável de um prejuízo catastrófico. Com a Análise Inteligente, transformamos dados dispersos e complexos em direção automatizada para as mesas de crédito.”

A centralização das informações na tela do ERP visa reduzir a exposição das empresas de fomento que hoje se veem em meio à volatilidade de dados. O atraso e a omissão de relatórios mensais já geraram um passivo sem atualização informativa estimado em R$ 37 bilhões por auditorias de mercado, prejudicando a contabilidade de fundos que adquirem cotas de outras estruturas e gerando problemas de transparência monitorados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Por conta disso, o co-CEO da Quick Soft, Rodrigo Eddine, aponta para a necessidade de agilidade na resposta aos riscos porque o analista de crédito de um FIDC ou securitizadora não pode perder tempo minerando dados em cinco ou seis plataformas diferentes enquanto a fraude acontece. “Ao unir a robustez cadastral da Assertiva e os dados de transação da Núclea nativamente dentro do ambiente Qprof, que eles já utilizam diariamente, nós eliminamos os pontos cegos operacionais e trazemos eficiência máxima e segurança em apenas um clique.”

Para a introdução da plataforma no mercado de capitais ao longo do segundo semestre, as empresas estruturaram um cronograma de ações presenciais e direcionadas aos tomadores de decisão. Em setembro, a tecnologia será apresentada a operadores do setor durante o Encontro Nacional da Associação Nacional de Fomento Comercial (ANFIDC). Paralelamente, serão realizados eventos regionais de relacionamento, como jantares e cafés da manhã de negócios em polos financeiros, com foco em demonstrações técnicas e debates sobre mitigação de risco com diretores e gestores de fundos.

A expectativa comercial das companhias apoia-se inicialmente no potencial de conversão da base interna. O plano de expansão prevê a ativação sequencial do módulo para até 120 clientes que já operam o ERP da Quick Soft, estendendo posteriormente as operações para prospecção ativa de contas-chave no mercado aberto.

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