Terça, 12 de Novembro de 2019

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BC pretende avançar na modernização do Sistema Financeiro Nacional

08/07/2019 - Economia

Com a estabilidade monetária, alcançada pelo Plano Real, o Banco Central (BC) agora quer avançar na modernização do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Para isso, desenvolve a intermediação financeira do futuro, por meio de dois projetos básicos: o open banking, que é a difusão sem o consentimento do usuário das suas informações para que possa receber propostas de crédito mais regulares, por exemplo, de fintechs; e um projeto de pagamentos instantâneos, como funciona em alguns países, onde é possível pagar contas por aplicativos como o WhatsApp.

O diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central (BC), João Manoel Pinho de Mello, explica que o papel da autoridade monetária é ter proatividade para que os novos modelos de negócio se adaptem rapidamente às mudanças na sociedade, garantindo segurança, sem inibir a inovação. “A estabilidade da moeda nos deu as condições objetivas e necessárias para desenvolver a eficiência do sistema financeiro com essa agenda central”, diz.

Agora, o foco do BC, segundo o diretor, é dar segurança aos novos modelos de negócios, sem detrimento da inovação; estimular a entrada de concorrentes não tradicionais no mercado e garantir que todos os processos sejam baseados na proteção de dados dos consumidores do sistema financeiro. “Também temos que difundir as informações de crédito, para que todos os concorrentes possam competir em igualdade de condições. Se um credor tem mais informações do que outro, é natural que consiga dar crédito em condições mais vantajosas”, assinala.

Concorrência

Pinho de Mello destaca que, entre as missões do BC, estão assegurar a estabilidade da moeda, com cumprimento da meta da inflação, e garantir um sistema financeiro sólido e eficiente. “A primeira missão é o motivo da comemoração dos 25 anos do real. A despeito de discordâncias, é notável o que nós conseguimos fazer no que se refere à estabilização monetária”, afirma. “Nós construímos um sistema sólido. Agora, é preciso centrar esforços na conclusão de um sistema financeiro ainda mais eficiente. É sinal de maturidade da sociedade brasileira e do governo que o debate hoje esteja mais focado em temas como juros, spread bancário, fintechs, intermediação financeira, mudanças regulatórias. Isso significa que nós resolvemos boa parte da agenda para dar espaço à próxima, cujo principal objetivo é aumentar a concorrência na intermediação financeira”, sintetiza.

O termo é usado no lugar de crédito bancário, de acordo com o diretor do BC, porque o setor privado já está ocupando boa parte da queda do crédito direcionado subsidiado que houve nos últimos anos. “O processo é lento, mas já está em curso. Inclusive, a pesquisa de intermediação financeira começará a ser divulgada em agosto pelo Banco Central, que envolve mercado de ações, mercado de títulos do setor não financeiro e do crédito bancário, obviamente”, antecipa.

Sobre meios de pagamento, Pinho de Mello diz que o BC quer criar um ambiente com concorrência, reduzindo as barreiras à entrada, estimulando, assim, a eficiência. “A tecnologia é grande vetor tanto de indução da concorrência quanto da redução de riscos para subscrição de crédito”, afirma. A expansão da competição no setor, no entanto, deve caminhar lado a lado com a segurança dos dados pessoais dos cidadãos. “Esse é um pilar fundamental. O consenso social a respeito de várias medidas depende dessa proteção. A consequência é crédito e serviços mais baratos e abundantes, sobretudo, para a população menos bancarizada e para as pequenas e médias empresas, que sofrem com restrição de crédito”, acrescenta.

A autoridade monetária já realizou algumas mudanças regulatórias, que permitiram avanços. “As transações de cartão de crédito como fração do PIB (Produto Interno Bruto) tiveram um crescimento absolutamente extraordinário e tem ainda mais por vir”, destaca. O estímulo à concorrência na antecipação de recebíveis, que é o principal mecanismo de crédito para vários negócios, principalmente, médias e grandes empresas, provocou queda no custo do capital de giro, exemplifica. “Tenho convicção de que a tecnologia impulsionará ainda mais a concorrência”, conclui.

https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/economia/2019/07/08/internas_economia,769110/bc-pretende-avancar-na-modernizacao-do-sistema-financeiro-nacional.shtml

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