Terça, 12 de Novembro de 2019

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Operações em canais digitais são 62% do total e motivam fechamento de agências

06/03/2017 - Tecnologia

As transações bancárias feitas por meio eletrônico são a maioria no Brasil desde 2015 e ganharam mais relevância no ano passado. De acordo com dados do Banco Central, as operações feitas por meios eletrônicos como internet, celular e tablet representaram 61,9% do total em 2016, contra 55% em 2015%. Esse movimento de digitalização do atendimento justifica, em parte, o fechamento de agências, de acordo com os bancos.

As operações financeiras realizadas nos canais tradicionais, incluindo dependências bancárias, caixas eletrônicos, correspondentes e call center, que até 2014 representavam mais da metade das operações, caíram de uma participação de 45% em 2015 para 38,1% no ano passado.

"Com o uso do celular aumentando, há uma tendência dos clientes irem menos às agências, e com isso a gente está vendo essas situações que antes pareciam impossíveis [fechamento de agências próximas]", afirmou o presidente do Itaú, Roberto Setubal, ao comentar o lucro de R$ 23,35 bilhões do banco em 2016, o 2º maior já registrado no Brasil.

No Itaú, a rede de agências e postos de atendimento caiu de 4.985 unidades em 2015 para 4.537 em 2016.
 
"Atualmente, mais de 72% das transações do banco são realizadas pelos canais digitais (internet e celular). Refletindo esta mudança, na medida em que nossos clientes demandam um atendimento mais digital, reduzimos os pontos físicos localizados próximos a outras agências", informou o Itaú, que opera atualmente135 agências digitais no país.
 

Além do internet banking, as instituições têm investido cada vez mais em canais digitais alternativos, incluindo agências digitais e aplicativos, pelos quais é possível abrir uma conta corrente de forma totalmente online.

Para o Banco Central, o crescimento do uso de canais remotos para se acessar serviços financeiros "pode estar sendo considerado pelas instituições financeiras para a redução no número de canais de acesso físicos disponíveis para a população".

Nas pequenas cidades do país, entretanto, os canais digitais ainda não representam uma alternativa à altura, diante precariedade da infraestutura e da rede de telecomunicações. "Em cerca de 500 prefeituras no Brasil, o telefone ainda é na rua. As empresas vão muito onde tem carne boa e não pescoço. Esse é o problema", explica o presidente da CNM (Confederação Nacional dos Municípios), Paulo Ziulkoski.

O que dizem os bancos

No Itaú, a rede de agências e postos de atendimento caiu de 4.985 unidades em 2015 para 4.537 em 2016. "Atualmente, mais de 72% das transações do banco são realizadas pelos canais digitais (internet e celular). Refletindo esta mudança, na medida em que nossos clientes demandam um atendimento mais digital, reduzimos os pontos físicos localizados próximos a outras agências", informou o Itaú, que opera atualmente135 agências digitais no país.

O Banco do Brasil informou ter encerrado 2016 com 66,5 mil pontos de atendimento entre rede própria, compartilhada e correspondentes, ante um total de 67,7 mil em 2015. Apesar do recuo, o BB destaca se manter "presente em 99,7% dos municípios brasileiros" com "a maior rede de atendimento do país".

Reestruturação anunciada pelo BB no final de 2016 prevê que 379 agências serão transformadas em postos de atendimento e que outras 402 serão desativadas.

Segundo o Banco do Brasil, parcerias com estabelecimentos como lotéricas "consolidam o atendimento pulverizado e nacional. "Percebemos claramente estas parcerias quando analisamos a redução dos postos de atendimento eletrônico da rede própria e o aumento na quantidade de terminais do Banco 24h da rede compartilhada", disse o banco em nota.

O Bradesco informou não ter registrado fechamento de agências em 2016. Segundo o banco, o número atual de agências é de 5.314 ante 4.507 no final de 2015. O crescimento, entretanto, é resultado direto da incorporação da rede de 851 agências do HSBC.

A Caixa disse estar presente com canais físicos em 99,6% dos municípios brasileiros, considerando agências, salas de autoatendimento, lotéricas, correspondentes, pontos de atendimento eletrônicos, quiosques, caminhões moveis e unidade barco.

"No tocante ao encerramento de agências, as unidades são constantemente monitoradas e acompanhadas, visando eficiência e melhoria do atendimento aos clientes, alinhada à estratégia vigente de implantação e gestão de canais físicos", informou o banco, que planeja lançar em março um projeto piloto de agências digitais.

O Santander, por sua vez, afirmou que a sua estratégia comercial não prevê o encerramento do atendimento físico em nenhum município brasileiro e que investe continuamente nos canais eletrônicos e modelos alternativos como gerentes digitais "que têm a mesma autonomia de gerentes de agências (350 profissionais estão em fase de contratação)", e espaços dedicados ao atendimento do produtor rural.

Segundo o banco, oito deles serão inaugurados no primeiro trimestre, em municípios onde o Santander ainda não está presente.

http://g1.globo.com/economia/noticia/operacoes-em-canais-digitais-sao-62-do-total-e-motivam-fechamento-de-agencias.ghtml

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