Terça, 11 de Dezembro de 2018

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O factoring precisa ser reconhecido ou melhor conhecido?

Há aproximadamente 10 anos faço parte dos que labutam e estudam o setor do factoring no Brasil, tendo acompanhado os acontecimentos relacionados com o setor de forma próxima e atenta.

Lembro que o primeiro evento que participei neste setor foi em 2003, o I Congresso Sul-Brasileiro de Factoring, realizado por iniciativa do Sinfac-NCO, na cidade de Blumenau/SC. Este foi um evento marcante para mim, pois eram mais de 300 participantes que, em determinado momento, eram divididos em grupos que discutiam cada assunto de forma separada. Fiquei no grupo de discussão jurídica, que abordou, dentre outros assuntos, o direito de regresso e lembro que se falou da necessidade de melhor conhecimento do setor pelo judiciário.

E por aí segui participando de inúmeros cursos e eventos do setor, alguns de treinamento, outros de eventos institucionais. Um dos assuntos que sempre esteve em destaque, seja como pauta do evento, seja como assunto secundário, era que o factoring precisava de reconhecimento, tanto da sociedade, como do judiciário, principalmente.

Houve, a partir de 2004, iniciando com o Seminário de Fomento Mercantil, realizado em Florianópolis, a realização de diversos eventos em que foram convidados Ministros do STJ, Desembargadores e Juízes para discutir o factoring e sua importância para a economia brasileira, visando com isso um maior conhecimento do setor pelo judiciário.

Estes eventos foram e são de extrema importância para que o setor do factoring seja melhor entendido pelo judiciário, mesmo que ainda esteja claro que necessitamos avançar ainda mais neste sentido.

Todas as iniciativas tomadas para debater e apresentar o factoring são bem-vindas e importantes para que o setor possa ser cada vez mais reconhecido como uma importante ferramenta de desenvolvimento econômico e social de nosso país.

Mas, o artigo já fala em seu título: o factoring precisa ser reconhecido ou melhor conhecido? Em minha modesta opinião, nosso setor precisa ainda ser melhor conhecido em primeiro lugar.

É certo que somos conhecidos, e algumas vezes reconhecidos, pelos empresários que são atendidos por empresas do setor e por uma parte do judiciário que já entende e reconhece nossa importância para o desenvolvimento da economia nacional. Mas cabe a pergunta: e a imprensa, realmente conhece o que fazemos e a nossa importância?

Todos sabemos que os órgãos de comunicação são, certamente, os que mais influenciam e esclarecem, muitas vezes de forma distorcida, a sociedade. No factoring, invariavelmente, somos notícia quando há algum envolvimento de “pseudo-empresários” em golpes ou algum tipo de lavagem de dinheiro, dentre outros fatos desabonatórios. Mas o setor de factoring é isso? Claro que não, todos nós sabemos.

Ao ver que somos notícia quase que unicamente em casos negativos, somente posso creditar ao desconhecimento da nossa atividade, de nossos bons empresários e da importância crucial que temos para o sustento de micros, pequenas e médias empresas que são atendidas insuficientemente, ou nem isso, pelo setor bancário de nosso país.

Este é o motivo pelo qual escrevo este artigo: um setor só pode ser realmente reconhecido quando anteriormente conhecido.

Leitores deste artigo, perguntem ao público em geral, parentes ou amigos, quem realmente conhece a atividade das empresas de factoring? Certamente, não será surpresa que mais de 80% não saberão exatamente do que se trata.

Tenho certeza de que somos importantes para a sociedade e por qual motivo não podemos ser conhecidos de forma a nos beneficiarmos desta situação? Será que devemos nos contentar em aparecermos no noticiário somente quando alguém se utiliza do “nome factoring” para a prática de algum negócio ilícito?

Ao sermos mais amplamente conhecidos pelo que realmente fazemos, pelos benefícios que alcançamos aos nossos clientes e pela importância na economia nacional, o reconhecimento virá com mais brevidade e maior intensidade.

Penso que é dever não só das entidades representativas, mas de todos os participantes deste setor a divulgação de nossas virtudes e das ações benéficas à sociedade brasileira que praticamos, tanto no campo social, quanto no campo econômico.

Os órgãos de comunicação não são os únicos culpados pela publicação de “más notícias” envolvendo nosso setor, pois se não fornecermos a eles as “boas notícias”, que certamente são muitas, o que poderemos esperar que o grande público leia a nosso respeito?

Atitudes como a divulgação das Campanhas do Sinfac-MS e do Sindisfac-MG, que levaram à imprensa o resultado de suas campanhas sociais, como o de uma importante factoring do estado do Pará, a CCCS Fomento Mercantil, que no final do ano passado patrocinou uma palestra do Luiz Nassif, palestrante nacionalmente conhecido, para falar sobre os rumos da economia mundial e nacional para os empresários de sua região, são exemplos de como poderemos aparecer na imprensa de forma positiva e objetiva.

Finalizo o presente artigo parabenizando a todos que praticam atitudes positivas no nosso setor e que as levam ao conhecimento do público em geral através da imprensa, pois assim seremos cada vez mais conhecidos pelo que realmente fazemos e pelos benefícios para a sociedade que produzimos, bem como convoco a todos que assim o façam, pois certamente outros tantos dão causa a “boas notícias” do setor, porém sem a necessária e importante divulgação.


Ernani Desbesel
Ernani Desbesel

Ex-empresário de Factoring
Advogado Especialista na Prevenção de Riscos
MBA em Gestão Estratégica de Factoring
Palestrante em 8 (oito) Cursos sobre Factoring e Securitização
Articulista e Administrador do Portal do Factoring e do Portal Fomento
Consultor de Empresas de Factoring, FIDC e Securitização
Auditor Certificado da ISO 31000:2009 – Gestão de Riscos (QSP)
Professor da Academia de Crédito Serasa Experian
E-mail para contato: desbesel@terra.com.br

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