Segunda, 24 de Setembro de 2018

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A transformação de riscos em oportunidades no fomento mercantil

A palavra risco talvez seja aquela mais utilizada no cotidiano das empresas de fomento mercantil, normalmente para identificar situações em que a empresa tentará se afastar o máximo possível.

Neste artigo, como tenho feito frequentemente, abordo o tema “risco” para que possamos cada vez mais conhecê-lo e ao mesmo tempo transformá-lo em lucros.

Risco pode ser definido como a combinação da probabilidade de um evento e das suas consequências, portanto, podemos dizer que o risco que as empresas de factoring estão sujeitas dependem de muitos fatores, tanto internos, quanto externos.

Costumo dizer nos cursos que realizo que devemos sempre ter em mente que nunca conseguiremos modificar o risco que corremos olhando somente para nossos cedentes e sacados, devemos, antes de tudo, olhar para dentro de nossas empresas se quisermos ter mais segurança em nossas operações, pois é ali que poderemos resolver, pelo menos em parte, este problema.

E que bom que a solução está dentro de nossas empresas, pois somente assim poderemos buscá-la e integrá-la aos nossos negócios. Imaginem se a solução estivesse somente nas mãos de terceiros?

Veja a seguinte situação: duas factorings distintas, operando com o mesmo cedente que pretende negociar uma duplicata sem causa, estarão correndo o mesmo risco? Permitam-me dizer que nem sempre, pois se uma delas estiver mais preparada, certamente não estará com a mesma probabilidade de ter prejuízos.

Cabe esclarecer que esta exposição ao risco envolve, principalmente, a capacidade de cada factoring em mitigar os riscos a que está exposta. É o conhecimento amplo e antecipado das formas de reduzir vulnerabilidades, conjugado com atitudes preventivas, que faz a diferença.

Creio que é facilmente compreensível que uma factoring que não possui cuidados preventivos deverá correr um risco maior nesta situação e, em contrapartida, aquela que buscou anteriormente diminuir suas vulnerabilidades, certamente não estará exposta ao mesmo risco da outra.

Então, pergunto novamente: onde estará a solução para podermos minorar os riscos que corremos? Fácil, certamente dentro de nossas próprias empresas, com o envolvimento de toda a equipe de trabalho.

E está aí a razão deste artigo: a transformação dos riscos em oportunidades!

Quantas factorings deixam de trabalhar com determinadas empresas pelo fato que estas possuem um “risco” elevado? E se a factoring conhecer o risco que corre? E se estiver preparada para este risco? E se a equipe de colaboradores for treinada e tiver o espírito preventivo?

Estará um condutor de uma BMW nova, dirigindo a 150km/h, correndo o mesmo risco de acidente que um condutor dirigindo um fusca 1975? A comparação é exagerada, porém muito verdadeira quando a deslocamos para o setor de crédito. Há muitos “condutores” dirigindo fuscas a 150 km/h, desconhecendo os riscos que correm, e outras tantos conduzindo BMW’s a 60 km/h, para não correrem riscos. Em minha opinião, ambos estão errados.

Vejam que a exposição ao risco depende fundamentalmente das vulnerabilidades encontradas na empresa de factoring. Aliás, vulnerabilidade é o que se encontra suscetível ou fragilizado numa determinada circunstância.

Fragilidades. Este é o motivo principal dos prejuízos no factoring. Escrevam aí!

Num artigo anterior ainda perguntei: sua factoring ocupa a posição do “cavaleiro” ou a do “cavalo” após o pagamento da operação? É óbvio que se não tivermos tomado todos os cuidados necessários e preventivos no cotidiano de nossas empresas, provavelmente estaremos na posição menos privilegiada das referidas acima, logo após a concretização da operação.

Inúmeras vezes presenciei situações em que empresários tiveram que desistir de uma recuperação de créditos pelo fato de que não valia à pena ingressar com uma ação judicial, por total falta de atos preventivos de suas empresas. Quando no pólo passivo de uma demanda, outras tantas vezes, vi factorings acabarem com prejuízos consideráveis pelo mesmo motivo.

Até quando iremos colocar a culpa no cedente quando recebemos uma duplicata sem causa, ou no sacado que susta um protesto, quando tentamos cobrar esta mesma duplicata? Devemos agradecer pelo fato da “culpa” estar dentro de nossas empresas, assim poderemos sempre avançar nas soluções e mitigar cada vez mais os riscos a que estamos expostos.

O conhecimento das soluções, o espírito preventivo, a equipe profissional e a vontade de reduzir as vulnerabilidades, dentre outras, somadas a ATITUDE é a “fórmula secreta” para transformar riscos em oportunidades. Acreditem!


Ernani Desbesel
Ernani Desbesel

Ex-empresário de Factoring
Advogado Especialista na Prevenção de Riscos
MBA em Gestão Estratégica de Factoring
Palestrante em 8 (oito) Cursos sobre Factoring e Securitização
Articulista e Administrador do Portal do Factoring e do Portal Fomento
Consultor de Empresas de Factoring, FIDC e Securitização
Auditor Certificado da ISO 31000:2009 – Gestão de Riscos (QSP)
Professor da Academia de Crédito Serasa Experian
E-mail para contato: desbesel@terra.com.br

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