Segunda, 23 de Julho de 2018

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A prevenção de riscos no factoring

Tenho pautado todos os artigos que escrevo em assuntos que entendo sejam oportunos para o debate do setor e o risco, penso, é um dos mais importantes. Neste mês estou ministrando o “Curso de Prevenção e Redução do Risco Jurídico no Factoring”, mas, neste artigo, quero ampliar o foco para o risco em geral, não focado somente no aspecto jurídico.

Uma empresa de factoring está exposta a vários tipos de risco: operacional, crédito, jurídico, de negócio, de mercado, entre outros. Conviver diariamente com estes riscos, decidindo e acertando, não é fácil.

Podemos definir que uma análise de risco é o processo no qual se avalia em que medida certo contexto é ou não aceitável para uma empresa. E aí repousa o problema: como saber se um risco é ou não aceitável? E, se for, qual a remuneração justa para aceitá-lo?

Creio que devemos primeiramente identificar e analisar os três componentes do risco:

• o evento;

• a probabilidade de acontecimento do evento, e

• o impacto do evento.

Ainda, levar em conta que o risco poderá ser conhecido ou desconhecido:

• conhecido quando pudermos antecipar e tomar contramedidas que poderá mitigar o risco, e

• desconhecido quando não planejado, nem imaginado.

Em sequência, devemos identificar se o risco a ser enfrentado é de negócio ou puro:

• será de negócio, quando existir uma oportunidade de ganho em enfrentá-lo, e

• será puro, quando representar somente uma chance de perda.

Esta situação de risco puro é aquela em que a factoring não identifica, não mensura e nem percebe os riscos do negócio que está concretizando, muito menos estará aproveitando uma oportunidade para lucrar mais pelo risco corrido, simplesmente corre o risco porque está implícito no negócio. É aquele risco genérico. Muitos dizem “Ora, factoring sempre corre riscos, faz parte dos negócios”.

Não creio que riscos devam ser “simplesmente” genéricos.

Uma factoring deve conhecer cada risco que está sujeita, em cada negócio distinto, tanto os riscos internos, da própria factoring, quanto os externos, que dependem exclusivamente de acontecimentos alheios a ela. Somente após conhecidos, clareados e identificados os riscos poder-se-ão mensurá-los.

O passo posterior à análise do risco é a mensuração do custo/benefício que a exposição a um determinado risco poderá trazer. Quanto posso ganhar? Quanto posso perder?

Quando não há um planejamento anterior, a resposta da primeira pergunta, normalmente inibe até a formulação da segunda, pois isso faz parte do pensamento do empreendedor: quanto vou ganhar? Aí repousa a grande situação de risco. Se não houver a antecipação às situações de risco, a probabilidade de exposição e vulnerabilidade, muitas vezes inconsequente, estará pronta para acontecer.

O risco bem mensurado é uma oportunidade de ganhos, o mal, é um jogo perigoso. O desconhecimento dos riscos é o maior perigo. Um risco mínimo, quando desconhecido, poder ser o causador de um grande prejuízo.

Para que possamos mensurar o grau de risco envolvido numa operação de factoring devemos levar em conta, principalmente, duas coisas:

• a probabilidade de ocorrência, e

• a gravidade do impacto.

A prevenção de riscos deve compreender a identificação, a minimização ou eliminação destes sempre que possível, a criação de planos alternativos de ação no caso da concretização do evento previsto e o estabelecimento de reservas de capital para cobrir os riscos inevitáveis. O agir puramente intuitivo, normalmente, leva a perdas.

As vulnerabilidades da factoring devem ser conhecidas, sob pena da exposição ao risco ser insuficientemente medido. A tendência natural é que as vulnerabilidades sejam escondidas, não reconhecidas, o que dificulta sobremaneira o gerenciamento de riscos. Admitir uma deficiência é o primeiro passo para corrigir o problema.

O certo é que as factorings devem se antecipar aos acontecimentos e riscos, as estratégias devem ser conhecidas e respeitadas antes da tomada de decisão de aceitar ou não uma operação, somente assim será possível maximizar o lucro e minimizar riscos desnecessários, ou puros, como visto anteriormente.

Por outro lado, um enfoque positivo em relação à exposição aos riscos pode ser extremamente lucrativo para as empresas de factoring. A exposição planejada e cuidadosa pode trazer bons e lucrativos negócios às empresas.

Quando uma empresa enxerga os riscos somente pelo seu lado negativo, poderá estar optando por deixar de fazer os negócios mais rentáveis disponíveis no mercado, se olhar pelo lado positivo, identificando, clareando e mitigando os possíveis riscos envolvidos, poderá ter um mercado mais amplo e lucrativo, fazendo que suas receitas se distanciem bastante de seu ponto de equilíbrio.

Penso que uma boa decisão em relação aos riscos a serem aceitos deve estar alicerçada no conhecimento dos riscos que a factoring está exposta e na sua capacidade para mitigá-los.

Um bom planejamento de redução de riscos pressupõe um enfrentamento estratégico à exposição a eles. Nenhuma empresa estará suficientemente segura em relação aos riscos se não houver a antecipação de situações prováveis e a definição prévia de como agir em cada caso. 

Deixar para pensar nos riscos na hora da decisão não é planejar, é agir por impulso.

Portanto, o “segredo” é clarear, identificar, conhecer os riscos e, principalmente, saber e tomar, quando exposto a ele, as medidas acautelatórias suficientes para transformar o risco em oportunidade e lucro. 

Ernani Desbesel
desbesel@terra.com.br
 

 


Ernani Desbesel
Ernani Desbesel

Ex-empresário de Factoring
Advogado Especialista na Prevenção de Riscos
MBA em Gestão Estratégica de Factoring
Palestrante em 8 (oito) Cursos sobre Factoring e Securitização
Articulista e Administrador do Portal do Factoring e do Portal Fomento
Consultor de Empresas de Factoring, FIDC e Securitização
Auditor Certificado da ISO 31000:2009 – Gestão de Riscos (QSP)
Professor da Academia de Crédito Serasa Experian
E-mail para contato: desbesel@terra.com.br

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